A Justiça marcou para o dia 22 de junho, em Imperatriz, o júri popular de Jordélia Pereira Barbosa, acusada de envenenar um ovo de Páscoa que resultou na morte de duas crianças e deixou a mãe delas gravemente intoxicada. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio da 8ª Promotoria de Justiça Criminal de Imperatriz, e aponta que o crime foi premeditado e motivado por ciúmes e vingança.

De acordo com as investigações, Jordélia enviou à residência de Mírian Lira Rocha um ovo de Páscoa contaminado com chumbinho, substância tóxica utilizada ilegalmente como veneno para ratos. O presente foi entregue acompanhado de um bilhete com a mensagem: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”. Após consumirem o chocolate, os irmãos Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, morreram em decorrência da intoxicação. Já a mãe das crianças precisou ser internada em estado grave em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas sobreviveu.
Segundo a Polícia Civil, o caso foi cuidadosamente planejado. As investigações apontam que Jordélia viajou cerca de 384 quilômetros de Santa Inês até Imperatriz para executar o crime. Ao chegar à cidade, ela teria se hospedado em um hotel utilizando um nome falso e documentos falsificados. Conforme a apuração, a acusada se apresentou como “Gabrielle Barcelli”, alegando estar em processo de transição de gênero para evitar apresentar documentos oficiais de identificação.
Imagens de câmeras de segurança registraram a suspeita utilizando óculos e uma peruca preta enquanto comprava o ovo de Páscoa em uma loja da cidade. Posteriormente, ela contratou um motoboy para realizar a entrega do produto na residência das vítimas. Após a ação, retornou para Santa Inês em um ônibus intermunicipal, mas acabou sendo interceptada e presa pelas autoridades. Com ela, a polícia encontrou perucas, restos de chocolate armazenados em bolsas térmicas e passagens de ônibus, materiais que foram incorporados ao inquérito policial.
A confirmação de que o ovo de Páscoa continha chumbinho veio após análises realizadas pelo Instituto de Criminalística. Os laudos apontaram a presença do veneno no chocolate entregue às vítimas, nos corpos das crianças e também em materiais apreendidos com a acusada. As provas reforçaram a tese apresentada pela investigação de que o envenenamento foi a causa das mortes.
Durante o andamento do processo, a Justiça reconheceu as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público, entre elas motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e o fato de as vítimas serem menores de 14 anos. Jordélia responderá por dois homicídios consumados e uma tentativa de homicídio. Ela está presa desde abril de 2025 em uma unidade prisional feminina de São Luís.
Em depoimento, a acusada admitiu ter comprado e enviado o ovo de Páscoa para Mírian Lira Rocha, mas negou ter colocado qualquer substância tóxica no produto, atribuindo a responsabilidade a terceiros. A versão, no entanto, foi considerada sem fundamento pelas autoridades responsáveis pelo caso. A defesa também solicitou a realização de um exame de sanidade mental, pedido que foi negado pela Justiça sob o entendimento de que não há indícios de incapacidade da acusada para responder pelos próprios atos.
Responsável pela acusação, o promotor de Justiça Tiago Quintanilha Nogueira afirmou que o julgamento representa uma resposta da sociedade diante da gravidade do caso. “Trata-se de um crime que chocou o Maranhão, o Brasil e o mundo. O Júri é a resposta da sociedade para que atrocidades como essa não fiquem impunes”, declarou.
O caso ganhou repercussão nacional devido à forma como o crime foi executado e ao impacto causado pelas mortes das duas crianças. O julgamento deverá reunir familiares das vítimas, representantes do Ministério Público, defesa da acusada e jurados que serão responsáveis por decidir o futuro de Jordélia Pereira Barbosa.

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